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Agro

O papel de tecnologia e marketing para o produtor rural

18/12/2020

O produtor rural é um dos alicerces da economia brasileira. No País, o agronegócio participou de 21,2% do PIB em 2019, alcançando o valor de R$ 1,55 trilhão, segundo o IBGE.

Daqui para a frente, as perspectivas são ainda mais positivas. No futuro, o Brasil será o grande fornecedor de alimentos do mundo, mais do que já produz atualmente.

Mas, para que essa expectativa se cumpra, deve haver um esforço para superar os desafios de tecnologia e marketing no agronegócio. Conheça um pouco mais sobre esse tema a seguir.

Os desafios da transformação digital no campo

Independentemente do setor, o uso de novas tecnologias é fundamental para o desenvolvimento de negócios mais produtivos, eficientes e competitivos.

O produtor rural também está percebendo isso e algumas coisas estão mudando no agronegócio, em especial no tocante à transformação digital no campo. Por exemplo, de acordo com o estudo “A mente do agricultor brasileiro na era digital“, realizado pela McKinsey & Company, 53% dos agricultores brasileiros já usam ou desejam usar algum tipo de tecnologia de agricultura de precisão. Para esse estudo, foram ouvidos 750 agricultores, representando 5 culturas e 11 estados diferentes.

Ainda se destacam a busca pela implementação de drones, a adoção de sensores remotos e o uso de telemetria e internet das coisas nas várias etapas da produção.

Outro dado interessante é que 71% dos agricultores entrevistados afirmaram usar diariamente canais digitais para questões relacionadas à fazenda e na busca de informações.

A McKinsey aponta que isso faz parte de uma transformação também no perfil do produtor rural, agora mais digital. Uma nova geração entra no campo, mais antenada com as tendências de inovação e mais exigente por novas tecnologias.

No entanto, a adoção de tecnologias no campo está longe de ser unanimidade. Apenas 23% dos produtores rurais possuem acesso à internet em toda a extensão da fazenda, dificultando a implementação mais abrangente de sensores e outros dispositivos conectados.

Além disso, também pesa a falta de entendimento das capacidades dessas tecnologias e a falta de vendedores treinados para auxiliar o produtor rural interessado. Isso ressalta a necessidade de maiores investimentos em informação e comunicação por parte das empresas que vendem soluções tecnológicas para o agronegócio.

Leia também: A maturidade digital das empresas no Brasil

O produtor rural, aos poucos, está cada vez mais conectado. (Foto via Freepik)

Mercado de AgTechs no Brasil

Apesar dessas dificuldades, o mercado de inovação no agronegócio não para de crescer no Brasil. A cada ano, surgem novas startups voltadas para a implementação de tecnologia no setor agro, empresas essas conhecidas como AgTechs.

No Radar AgTech Brasil 2019, a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) mapeou a existência de 1.125 empresas relacionadas no País. Elas abrangem mais de 30 áreas de atuação, em atividades antes, dentro e depois da fazenda.

  • Antes da fazenda temos áreas como análise laboratorial, genômica e biotecnologia, e até serviços financeiros.
  • Dentro da fazenda há startups focadas em diagnóstico de imagem, meteorologia e irrigação, sensoriamento remoto, telemetria e automação, veículos aéreos não tripulados, entre muitas outras atuações.
  • Por fim, depois da fazenda, entram soluções em logística, marketplace, sustentabilidade etc.

Nesse cenário, Santa Catarina aparece como o quinto maior polo de AgTechs no Brasil, com 70 empresas contabilizadas pela Embrapa. O Estado fica atrás apenas de São Paulo (590 empresas), Paraná (102), Minas Gerais (99) e Rio Grande do Sul (89). 

Leia também: Conheça Santa Catarina: população, economia, mídia e mais!

É preciso aumentar o investimento em marketing no agronegócio

Além da transformação digital no campo, outro desafio do agronegócio está na comunicação. De acordo com uma pesquisa da Associação Brasileira de Comunicação Empresarial (Aberje), o setor investe pouco, se comparado, por exemplo, à indústria farmacêutica ou à automobilística.

Como revela Hamilton dos Santos, diretor geral da Aberje, apenas 6% das empresas no agronegócio têm orçamento de comunicação equivalente à média dessas outras duas indústrias. E estamos falando de um setor cujo valor bruto da produção supera os R$ 700 bilhões por ano, segundo estimativa da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).

Isso afeta não só a capacidade de conquistar o consumidor final, como também de gerar negócios dentro do próprio setor. Voltando ao estudo da McKinsey, ele mostra que há pouca fidelidade às marcas na compra de insumos ou maquinário pelo produtor rural. Preço e qualidade são os principais atributos avaliados por ele. Nesse sentido, as empresas que vendem ao agro devem intensificar o investimento em marketing para mostrar sempre por que são a melhor opção.

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