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Inovação

Uma nova perspectiva para o inovador

08/08/2019

Por Lucas Miguel Gnigler

O que impede a inovação em uma média ou grande empresa? É a burocracia da estrutura pesada e hierarquizada? Ou é o anseio, tão humano, de manter a estabilidade daquilo que está funcionando? Pode ser um ou outro. E também é grande a chance de ser ambos.

No entanto, uma mudança de perspectiva e de prioridades pode ser capaz de alterar o significado do que, hoje, classificamos como obstáculos da inovação.

É possível que a estrutura corporativa, que parece impedir a mudança, represente justamente o motor que possibilita a inovação. Afinal de contas, estamos falando de uma composição empresarial robusta e experiente, que conhece o mercado e aprendeu a gerar receita – mas que precisa urgentemente de novas práticas para enfrentar novos desafios.

O obstáculo é o caminho

“O que impede a ação favorece a ação. E o que se coloca no caminho, torna-se o caminho”.

As palavras do imperador romano Marco Aurélio tornaram-se uma epítome do estoicismo: uma filosofia nascida há mais de dois mil anos e que, atualmente, tem atraído seguidores (e propagadores) famosos, especialmente no meio da tecnologia e do empreendedorismo.

Um dos fundamentos do estoicismo é a separação entre aquilo que está ou não sob o nosso controle. Somos capazes de controlar somente o que é interno – nossas ações e reações. O que é externo está fora do nosso controle. Assim, o estoico aceita os fatos da forma como eles acontecem e, ao invés de lamentar o inevitável e aleatório, trabalha com o que tem. 

O obstáculo se torna o caminho.

Os acontecimentos deixam de ser barreiras a serem superadas, porque o estoico aprende que nada em si é bom ou ruim, e sim que nós é que atribuímos tais características aos fatos. Assim, o que antes poderia ser visto como um obstáculo, passa a ser o caminho que inevitavelmente deve ser seguido. Afinal, qual seria a outra opção?

Um empreendedor estoico, em tese, é mais resiliente. Ele tenta identificar o que merece (e o que não merece) sua atenção e seu esforço. E na busca pela mudança e pela inovação, é importante que ele dedique esforços para duas dinâmicas empresariais paralelas: preservar o núcleo, enquanto busca incessantemente o progresso.

Possibilitando a experimentação

No livro “Feitas para durar” (Built to last), obra que antecedeu o fenomenal “Empresas feitas para vencer” (Good to great), Jim Collins, Jerry Porras e sua equipe de pesquisa perceberam que empresas duradouras apresentavam o seguinte padrão de atuação: um núcleo sólido e eficiente, ancorado numa ideologia de negócios imutável, e, paralelamente, uma busca constante pelo progresso. Enquanto os valores e os propósitos da organização permanecem intactos, a adaptação à mudança e a inovação precisam ser buscadas de forma contínua e incansável.

Ou seja, a estrutura robusta da grande empresa tradicional deve “bancar” a experimentação. Tanto financeiramente, como um investimento no futuro, quanto conceitualmente, ditando os valores e os princípios norteadores. Eis a possibilidade da inovação corporativa: grandes empresas investindo parte da receita em núcleos de pesquisa e desenvolvimento. Mas e se, por motivos estruturais e culturais, a corporação não conseguir fomentar a inovação internamente?

Recentes iniciativas de utilização da receita gerada pelo núcleo para explorar as possibilidades de progresso originaram formatos robustos de inovação aberta, unindo grandes empresas e startups. É um processo delicado, que exige um olhar atento às necessidades de transformação digital, por exemplo. Mas que traz aprendizados e ganhos para todas as partes envolvidas – núcleo e progresso, trabalhando de forma consistente e integrada.

Vale ressaltar que a mesma dinâmica pode ser adotada pelo pequeno negócio, destinando esforço e investimento para fomentar a inovação. Internamente, pode ser difícil, em função da já mencionada cultura, mas também da escassez de recursos humanos. O mais sensato, seriam as parcerias – uma opção que, no entanto, desafia a cultura de sobrevivência do pequeno negócio, especialmente em empresas familiares.

O dilema do inovador

Existe um medo que atinge tanto a multinacional quanto a empresa familiar: trocar o certo pelo duvidoso e correr riscos. Clayton Christensen alertou há mais de duas décadas que o dilema entre manter o que vem funcionando e explorar novas soluções é o que paralisa e impede a inovação. Mas creio que podemos traçar uma relação entre esse dilema do inovador e o caminho apontado pelos estóicos há 2 mil anos. Não controlamos os obstáculos que aparecem. Mas controlamos nossa forma de decidir e de agir

O suposto obstáculo da inovação pode ser justamente o que permite a inovação. Mas, para isso, precisamos de novas conexões, novas prioridades, e principalmente novas perspectivas.

E para concluir, podemos tornar o debate ainda mais específico. A mesma dinâmica pode ser adotada pelo profissional. Ele pode ter um trabalho que, além de ser um laboratório de aprendizagem, pague as contas e financie a “inovação”: os projetos que ele toca a noite e nos finais de semana. Mas aqui vem a maior preocupação: estamos dedicando o tempo e a tecnologia disponível para redes sociais e maratonas de seriados. É uma opção, e como toda opção, tem consequências.

Pensando como um estoico, será que aquilo que você controla (seu esforço, sua atenção, suas prioridades) está sendo usado como recurso para construir o futuro?

Conteúdo produzido em colaboração com Lucas Miguel Gnigler, diretor de operações da D/Araújo e da D-Hub 


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