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Inovação

“Inovação na forma de inovar”: como começar a pensar e agir diferente

16/04/2019

Foto: Sergio Flores

Inovação e mudança no SXSW 2019

A questão não é apenas criar coisas novas, mas mudar a forma de como fazemos as coisas

O SXSW é o local certo para encontrar inovações tecnológicas. É isso que se espera do evento. Mas o que você talvez perceba lá é que o desafio não é a inovação em si. O maior obstáculo é a mudança que você precisa fazer… em você mesmo! Inovação, arrisco dizer, é muito mais o resultado de uma postura diferente, de um jeito novo de perceber as coisas e adotar mudanças.

As pequenas mudanças

Somos e estamos em sistemas complexos. E, por isso, toda mudança acaba afetando mais do que aquilo que se pretendia modificar. O problema é que nem sempre conseguimos prever as consequências das mudanças que propomos.

Malcolm Gladwell foi o “questionador” do melhor painel que eu vi no SXSW 2019. Ele lembrou que o carro autônomo será obviamente uma perturbação no sistema de trânsito. E, agora, antes de acontecer, não conseguimos saber exatamente quais serão as suas consequências e benefícios (assim como todas as futuras aplicações da inteligência artificial).

Como comparação, ele lembrou que poucos imaginavam que o Uber iria piorar o tráfego nas ruas de Nova York, já que muitos trocaram o metrô pela carona. Em Florianópolis, o Uber melhorou a minha vida. Mas e o trânsito da Ilha, melhorou? Mais alguém migrou do ônibus para a carona?

É claro que tem um lado positivo: toda pequena mudança é exponencial e pode gerar efeitos benéficos em grande escala.

Numa palestra arrebatadora, o neurocientista Beau Lotto mostrou estudos em que foi medida a reação do público em espetáculos do Cirque du Soleil. Eles identificaram que a atividade no córtex pré-frontal (racional) do telespectador diminui muito em determinados momentos do show. Ele está imerso na experiência, encantado e sem raciocinar direito, pois o show está controlando toda a sua atenção. Foco, estado de fluxo e emoções – o cenário ideal para a recepção da mensagem.

Tudo isso potencializado em função de pequenas e encantadoras mudanças na forma de entregar o espetáculo ao público.

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Uma questão de linguagem

Wittgenstein sempre é citado quando se fala na importância da linguagem. Basicamente, o filósofo afirmava que as palavras delimitam a nossa experiência. Aquilo que não conseguimos nomear, na prática, não existe.

Mudança e inovação, nesse contexto, podem ser um problema de linguagem. Em geral, não estamos usando o mesmo vocabulário. Se você falar para a sua equipe que é preciso “melhorar o atendimento”, todos vão pensar na mesma coisa? O primeiro pequeno passo pode ser criar uma definição comum e compartilhada sobre o que estamos querendo dizer.

Precisamos tomar cuidado com o que não é claro, com o que fica subentendido. Uma sugestão recorrente em painéis do SXSW é a adoção de frames e fórmulas: a busca por uma linguagem em comum para toda a equipe. Eis a ideia de “inovação na forma de inovar”: novas formas de colaborar, de contribuir, de materializar a solução de problemas.

Os conflitos necessários

Abri o texto falando que a inovação exige uma nova postura. Quem quer inovar, precisa estar disposto a errar. E a admitir que não sabe. E nessa interação de pessoas e ideias, partir para eventuais confrontos.

Nessa linha, Amy Gallo questionou: quais são as “brigas” que valem a pena? Ela insistiu: a fricção e o atrito são necessários para qualquer mudança significativa.

O problema é que os conflitos parecem uma ameaça. E, por isso, evitamos conflitos. Melindrosos, com medo de ofender, acabamos construindo uma harmonia artificial nas nossas empresas.

Quando você passa por um conflito, a relação é fortalecida, e não prejudicada. Como concluiu Amy Gallo: se queremos mudar, precisamos tirar o elefante da sala e colocar ele na mesa!

Por ambientes mais complexos

Beau Lotto lembrou também que quanto mais complexo é o ambiente, mais complexa é a atividade cerebral. E isso fortalece as conexões neurais. Ou ainda: o cérebro precisa de feedback de qualidade. Se o ambiente em que você está não gera desafios cognitivos, dificilmente você vai evoluir.

Nesse sentido, ouvi várias ideias no SXSW 2019 que podem ser adaptadas e adotadas:

  1. Neil Gaiman lembrou que Good Omens foi escrito em dupla com Terry Pratchett. Um escritor era a audiência (e a crítica) do outro.
  2. A Tencent, gigante chinesa dona do WeChat, tem agora dois assistentes digitais. Cada um é tocado por uma equipe diferente (imagine a competição!).
  3. E essa: a equipe do escritório é levada até o centro da cidade para falar com clientes durante duas horas. Depois todo mundo se reúne para compartilhar o que descobriu. Enquanto isso, o chefe fica duas horas atendendo o telefone do SAC.
  4. Na palestra mais aplaudida que eu vi no SXSW 2019, Jack Conte, fundador do Patreon, mostrou como a sua equipe coleciona depoimentos de clientes – eles são lidos com frequência, para lembrar o motivo do negócio, e para seguir em frente em momentos difíceis.
  5. Austin Kleon sugeriu que você se dedique cada vez mais às duas ou três coisas que você mais gosta. Dedique tempo e esforço a elas, e com o tempo, tudo vai começar a se conectar. A inovação, muitas vezes, é a combinação inesperada de coisas completamente diferentes.

O próximo passo

Precisamos rever paradigmas. Precisamos mudar modelos mentais e modelos de negócio.

Mas para que tudo isso aconteça, precisamos dar o primeiro passo. Qual será a sua primeira pequena mudança?

Veja também: As reflexões do SXSW 2019 sobre a vida moldada por algoritmosACESSAR

Conteúdo produzido em colaboração com Lucas Miguel Gnigler, diretor de operações do grupo D/Araújo Comunicação. 


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